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Piauí Sampa chega a 7ª edição com 70 empresas participantes.





Silvio Leite, secretário de Turismo do Piauí

A cidade de São Paulo recebe pela sétima vez o Piauí Sampa. Idealizado pelo Sebrae-PI, o evento visa estimular os negócios entre os Estados de São Paulo e Piauí em diversos segmentos: turismo, artesanato, cultura, agronegócio e moda. "Quando iniciamos esse projeto em 2004 tínhamos quatro empresas locais participantes. Para este ano, já alcançamos a marca de 70 companhias", afirmou Mário Lacerda, diretor Superintendente do Sebrae-PI, nesta segunda-feira (08/08) ao abrir o evento. O Piauí Sampa 2011 acontece no Shopping Eldorado, na capital paulista, até o próximo domingo, dia 14 de agosto.

A área de artesanato traz produtos de ceramistas do polo cerâmico do Poti Velho - esse segmento movimenta cerca de R$ 22 milhões por ano. Já o setor do agronegócio montou uma espécie de Mercado Sustentável com a exposição de diversos produtos orgânicos e naturais como a castanha piauiense. Os produtores locais realizarão encontros com grandes redes varejistas da região Sudeste como Pão de Açucar e Wal Mart e devem fechar os contratos para a venda de mel, gergelim orgânico e pólen a granel. Este ano, inclusive, o Piauí Sampa, lança como mote principal a sustentabilidade.

Presente na abertura, o prefeito de Teresina, Elmano Férrer, destacou os atrativos turísticos do estado. "Teresina é a porta de entrada tanto para a Serra da Capivara como para o litoral. É uma cidade verdadeiramente acolhedora", comentou. No âmbito do turismo, o Piauí Sampa promove na próxima quinta-feira, dia 11, uma rodada de negócios entre empresários piauienses e paulistas. "Vamos potencializar a comercialização de todos os nossos destinos turísticos, em especial a Rota da Emoções. Já temos a confirmação de grandes agências de São Paulo interessadas", disse Lacerda.

A Rota das Emoções, que engloba as atrações Delta do Parnaíba e Parque de Sete Cidades, já movimentou para mais de R$ 3 milhões. "Toda semana recebemos um ônibus turístico lotado", ressaltou o secretário de Turismo do Piauí, Silvio Leite. Os próximos desafios, segundo Leite, são divulgar outras localidades turísticas como a Serra da Capivara e incentivar as empresas de turismo locais a se credenciarem no Cadastur. "Temos apenas 40% dos prestadores de serviço de turismo cadastrados em nosso sistema. Faltam os outros 60%. Além disso, estamos buscando uma ferramenta que nos auxile e contabilizar os turistas estrangeiros que chegam ao Piauí por Barra Grande", explicou Silvio Leite.

Paralelamente a essas ações, o estado garantiu investimentos na infraestrutura litorânea. Mais de R$ 200 milhões foram captados para melhorar a rede de esgoto sanitária e para a ampliação do aeroporto internacional de Parnaíba. Também estão previstas a urbanização de calçadões e avenidas e das orlas de Maramar, Mangue Seco e Barra Grande, e a duplicação das rodovias entre Luís Correa e Coqueiro e entre Parnaíba e Pedra do Sal. Uma praça em Cajueiro da Praia também integra os planos de revitalização.

Corrupção: CNJ desvenda esquema no TJPB

Corrupção: CNJ desvenda esquema no TJPB  
CNJ enfrenta esquemas de corrupção nos Estados; TJPB é um dos principais alvos

Desvios de verbas, vendas de sentenças, contratos irregulares, nepotismo e favorecimento na liberação de precatórios são problemas comuns no Judiciário em todas as regiões do país. Há desde tribunais que usam dinheiro público para contratar serviços de degustação do café tomado pelos juízes até saques de milhões em sentenças negociadas pelos próprios magistrados.

Em pouco mais de dois anos de inspeções realizadas nos Estados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) descobriu casos de pagamento de 13º salário a servidores exonerados, desvio de verbas de tribunal para a maçonaria, pagamento de jeton a médico de tribunal, associações de mulheres de magistrados administrando serviços judiciais, esquemas de empréstimos consignados fraudulentos envolvendo juízes e até sorteios de relatores de processos totalmente direcionados, com apenas um juiz concorrendo.

O Judiciário convive com casos de desvios de verbas, vendas de sentenças, contratos irregulares, nepotismo e criação de entidades vinculadas aos próprios juízes para administrar verbas de tribunais. Esse retrato de um Poder que ainda padece de casos de corrupção e de irregularidades foi identificado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a partir de inspeções realizadas pela sua Corregedoria em quase todos os Estados brasileiros.

"Há muitos problemas no Judiciário e eles são de todos os tipos e de todos os gêneros", afirmou ao Valor a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça. Para ela, diante de tantas irregularidades na Justiça é difícil identificar qual é o Estado com problemas mais graves. Há centenas de casos envolvendo supostos desvios de juízes, entre eles, venda de sentenças, grilagem de terras e suspeita de favorecimento na liberação de precatórios. Além disso, o Conselho identificou dezenas de contratos irregulares em vários tribunais do país.

No Espírito Santo, a contratação de serviços pelo Judiciário chegou ao cúmulo quando o TJ adquiriu os serviços de degustação de café. O CNJ mandou cancelar o contrato de "análise sensorial" da bebida, que vigorou até junho de 2009. O Conselho também descobriu casos de nepotismo e de servidores exonerados do TJ que recebiam 13º salário.

Em Pernambuco e na Paraíba, associações de mulheres de magistrados exploraram diversos serviços, como estacionamento e xerox, dentro do prédio do TJ. Na Paraíba, o pagamento de jeton beneficiou não apenas os juízes mas a Junta Médica do tribunal.

Pernambuco ainda teve casos de excessos de funcionários contratados sem concurso público nos gabinetes. O CNJ contou 384 funcionários comissionados no TJ, a maioria nos gabinetes dos desembargadores, onde são tomadas as decisões.

No Ceará, a Justiça local contratou advogados para trabalhar no TJ. É como ter agentes interessados em casos de seus clientes diretamente vinculados a quem vai julgá-los. Ao todo, 21 profissionais liberais trabalharam no TJ de Fortaleza e custaram R$ 370 mil aos cofres do Estado.

No Pará, o CNJ determinou o fim de um contrato com empresa de bufê que chegou a fazer 40 serviços por ano para o TJ - em ocasiões como posses, inaugurações, confraternização natalina e na tradicional visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. Além disso, o Conselho identificou sorteios direcionados de juízes para decidir casos. Num desses sorteios, participou um único desembargador.

Decisões que levam à liberação de altas quantias de dinheiro também estão sob investigação do CNJ. No Maranhão, sete juízes de São Luís foram afastados após o Conselho verificar que eles estavam liberando altas somas em dinheiro através da concessão de liminares em ações de indenização por dano moral. Uma delas permitia a penhora on-line de R$ 1,9 milhão e sua retirada, se necessário, com apoio de força policial. No Mato Grosso, dez juízes foram aposentados compulsoriamente pelo CNJ, após acusação de desvio de R$ 1,5 milhão do TJ para cobrir prejuízos de uma loja maçônica.

Um sistema de empréstimos contraídos por magistrados do Distrito Federal levou o CNJ a abrir investigação contra a Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer). De acordo com as denúncias, um magistrado da Ajufer usava o nome de outros juízes para fazer empréstimos bancários para a entidade. Sem saber, muitos juízes se endividaram em centenas de milhares de reais. Os conselheiros Walter Nunes e Felipe Locke Cavalcanti identificaram que o esquema da Ajufer era, em tese, criminoso, pois indica a prática de fraude e de estelionato.

Mas o caso da Ajufer está longe de ser o mais conhecido esquema de administração de verbas por magistrados. Entre as entidades ligadas a juízes que gerenciaram recursos e serviços no Judiciário, a mais famosa foi o Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária (Ipraj), que funcionou por mais de 20 anos na Bahia e foi fechado pelo CNJ. O Ipraj cuidou da arrecadação de recursos para o Judiciário baiano e administrou tanto dinheiro que chegou a repassar R$ 30 milhões para a Secretaria da Fazenda da Bahia.

Casos de favorecimento na liberação de verbas de precatórios também chamam a atenção. Ao inspecionar o TJ do Piauí, o CNJ concluiu que não havia critério para autorizar o pagamento desses títulos para determinados credores. No TJ do Amazonas, foram identificados "indícios veementes da total falta de controle sobre as inscrições e a ordem de satisfação dos precatórios."

Situação semelhante foi verificada no Tocantins. A ex-presidente do TJ Willamara Leila e dois desembargadores foram afastados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), após operação da Polícia Federal que identificou um suposto esquema de venda de sentenças e de favorecimento no pagamento de precatórios. O TJ tocantinense também padece de investigação de empréstimos consignados em excesso para desembargadores. Um magistrado chegou a ter 97% de sua remuneração comprometida.

Em Alagoas, a equipe do CNJ identificou dezenas de problemas na administração da Justiça local. "Verificamos situações inadmissíveis, como a de um magistrado que, em 2008, recebeu 76 diárias acumuladas, de diferentes exercícios", diz o relatório feito pelo Conselho. Outro caso considerado grave envolveu o pagamento em duplicidade para um funcionário que ganhava como contratado por empresa terceirizada para prestar serviços para o mesmo tribunal em que atua como servidor.

A troca de favores entre os governos dos Estados, as assembleias legislativas e os TJs é outro problema grave. Depois que o CNJ mandou cancelar o jeton na Paraíba, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei para torná-lo válido. Há uma troca constante de funcionários entre os três Poderes na Paraíba. Ao todo, 34,3% da força de trabalho da Justiça vem do Executivo Estadual e Municipal, fato que, para o CNJ, "se configura como desvio da obrigatoriedade de realização de concurso público".

Essa situação chegou ao extremo no Amazonas, onde um juiz de Parintins reclamou que não tinha independência para julgar porque praticamente todos os servidores eram cedidos pelo município. "Quando profere uma decisão contra o município o prefeito retira os funcionários", diz o relatório do CNJ. Das 3,5 mil investigações em curso no CNJ, pelo menos 630 envolvem magistrados. Entre abril de 2008 até dezembro de 2010, o Conselho condenou juízes em 45 oportunidades. Em 21 deles, foi aplicada a pena máxima: o juiz é aposentado, mas recebe salário integral. Simplesmente, para de trabalhar.